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Agostura foi fortificada com baterias de canhões e trincheiras, López juntou os remanecentes do seu exército, de não mais de 3000 homens, numa colina chamada Yvaté. Aqui a caçada, com a caça acuada num canto, estava chegando quase ao fim. Itá Ivaté foi tomada por Caxias no dia 21 de dezembro. As perdas paraguaias foram de 14 canhões e a metade de seus homens, mas López novamente conseguiu se evadir. A divisão argentina tinha se juntado novamente tropas de Caxias, após passar pelas desertas linhas de trincheiras de Pikysyry. Depois de fazer uma série de bombardeios, investiu sobre Itá Yvaté na manhã do dia 21 de dezembro, quando “Os aliados marcharam para dentro das linhas de López, com os argentinos posicionados à frente, alguns soldados paraguaios haviam sido deixados para fazer desesperada resistência e eles lutaram tenazmente até o final. A artilharia foi toda destroçada e mesmo assim dois ou três canhões continuavam disparando, protegidos por sacos de areia. López, no momento em que soube que os aliados marchavam sobre Yvaté, fugiu para Cerro-Leon, com um ou dois companheiros,” – p. 306, 307.
Em 30 de dezembro, Coronel Thompson, comandante das baterias de canhões em Agostura, o autor do livro de onde fizemos largas citações, rendeu-se, ao admitir que o exército paraguaio estava disperso e López fugitivo e continuar resistindo seria estupidez, um sacrifícil desnecessário de vidas.****
A situação atual da guerra e futura perspectiva para os paraguaios, foram assim resumidos pelo próprio autor:
"Os recursos de López no início de 1869 consistia em 6000 homens feridos em um hospital na Cordillera, situado em uma região de baixas de colinas, cerca de 80 quilômetros de Assunção e a 10 quilômetros da estrada de ferro. Os equipamentos bélicos a seu dispor consistia de 12 pequenas peças de canhões, 5 pequenos vapores no riacho de Manduvira e não dispunha de nenhum musquete. Os brasileiros, propositalmente, soltaram muitos prisioneiros paraguaios para que pudessem se juntar a López. Eles estavam determinados a não deixar nenhum paraguaio vivo e assim que López conseguir juntar nova força, os brasileiros voltarão novamente lutar contra eles e, de novo, dar tempo para que López possa reunir novos homens”. – P.316.
Assim foi a história da queda do Paraguai. Poucas nações fizeram tão galante resistência em uma situação de grande dificuldades. Nestes dias em que o poder material, unido ao poder econômico e da tecnologia, ameaçam arrastar tudo em sua frente, é consolador assinalar a capacidade de resistência inerente a um bravo e determinado povo. Os paraguaios, apesar de pobres e isolados, foi um povo forte. Eles dispunham de poucas riquezas e de armas miseráveis, nada mais que velhos perfurados canhões e de utrapassados equipamentos bélicos, mesmo assim, com ajuda de uma destemida coragem, aliada â topografia do terreno, que formava uma formidável barreira natural e de algumas fortificações, sustentaram uma guerra por quase cinco anos, contra uma rica e poderosa aliança, que contava com superior e bem treinada tropa e de todos os recursos da moderna engenharia bélica – canhões Whitworth, rifles e musquetes de repetição, balões de reconhecimento e encouraçados monitores – a seu dispor.
Não temos espaço para analizar o caráter de López. Ele parece ser cruel, egoísta, um homem sem princípio, ambicioso, mas de destemida decisão; mas parece que parece lhe faltar de coragem física, ou pelo menos, uma inteira falta disposição para correr risco desnecessário. Ele tem, evidentemente, grande talento para o comando, visto que nenhum homem com carência de liderança poderia ter sustentado por tanto tempo uma disputa tão desigual. Ele nunca estudou ou teve instruções militares, mas parece ter bom senso estratégico para posicionar seu exército e uma incrível tenacidade para mantê-lo e defender suas fortalezas. Em estratégica e tática de guerra ele cometeu grandes e fatais erros. A virtude mais admirável dele é ter garantido a simpatia dos paraguaios, a despeito de suas atrocidades e crueldades. O povo apegou-se a ele na boa e má fortuna, mesmo agora, quando é apenas um líder de guerrilha, chefe de um escasso bando, nas colinas e florestas do norte do Paraguai. Mesmo assim, o povo paraguaio parece manter o mesmo sentimento de quando ele era o todo poderoso ditador, no comando de uma grande força que dominava o país, os rios e os pântanos do sul.
Há mais na narrativa da guerra que desperta a atenção dos estudiosos das modificações que agora estão sendo introduzidas na ciência da guerra moderna.
É notável:
1 – A facilidade com que os encouraçados passaram pelas fortíssimas baterias paraguaias sem sofrer sérios danos;
2 – A impossibilidade de os encouraçados em silenciar ou provocar danos significativos, nas poderososas baterias terrestres;
3 – A inutilidade de colocar canhões rifles e musquetes modernos nas mãos de tropas que não sejam disciplinadas e treinadas para usá-los;
4 – O pequeno efeito das granadas, dos canhões rifles, sobre tropas em linha, em comparação com os dos antigos canhões, embora ocorra o contrário no caso das tropas estarem posicionadas em coluna; e
5 – Como foi neutralizado os efeitos das armas de precisão com simples parapeitos de terra.
F I M
Causas da guerra:
CAPTURA DO NAVIO MARQUÊS DE OLINDA
Final guerra:
MORTE DE FRANCISCO SOLANO LÓPEZ
****É justo mencionar que o trabalho de engenharia do Coronel Thompson, durante a guerra, foi executado dentro de um excelente planejamento. As principais trincheiras mantidas durante a guerra e que existem muitos perfis e projetos dessas fortificações de campo construídos por ele, merecem estudos mais atentos por engenheiros de guerra. Esse material mostra o quanto pode ser feito por um inteligente oficial para adaptar as defesas de forma a atender mudanças e as necessidades em difíceis situações. Deste modo, particularmente, merece destaque, os desenhos por ele elaborado, para instalação das baterias da margem esqueda de Angostura.
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