Guerra do Paraguai

Batalha de Riachuelo, Vitor Meireles

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              Essa estratégia era imperfeita ao extremo. A coluna da direita não poderia avançar com segurança a menos que a flotilha paraguaia desse cobertura, mas era quase impossível para para a força naval paraguaia dominar o rio Paraná, pela inferioridade em relação ao esquadrão brasileiro. A coluna que seguia pela esquerda ficaria isolada em cerca de 300 quilômetros da coluna da direita, pelo quase impassável interior em um profundo arremeço em território hostil, sem comunicação ou suporte. O resultado não poderia ser incerto, mesmo para o mais insignificante inimigo pecados estratégicos não são cometidos impunementes.
              O exército que manobrava pela direita do rio, iniciou seus movimentos no dia 14 de abril de 1865. Uma força avançada composta de 3000 soldados ocupou neste mesmo dia a cidade de Corrientes, capital da província argentina do mesmo nome, situada nas margens do rio Paraná. Sendo que até 10 de maio, o exército de 25 mil soldados já estava concentrado a cerca de 20 quilômetros de Corrientes, acampado nas margens do rio; em 20 de maio, alcançaram Bella Vista e em 3 de junho, a cidade argentina de Goya, ponto mais extremo, ao sul. O perigo desse avanço isolado ficou patente quando, no dia 25 de maio, um esquadrão de 10 navios subiu o rio Paraná até Corrientes, então retargarda da coluna, desembarcou 2000 homens e retomaram a cidade. A guarnição paraguaia foi expulsa e no dia seguinte a tropa aliada reembarcou e abondou a cidade. O exército aliado, integrado naquele momento de 16 mil homens, acampou em frente à força paraguaia em Goya, mas evitou qualquer ataque direto ao inimigo. Como a esquadra brasileira, que consistia de 9 bem construídas canhoneiras, carregando 59 canhões, tomou posição na proximidade de Corrientes, Lopez determinou um ataque a esse esquadrão com toda flotilha paraguaia disponível. No dia 10 de junho, 8 navios a vapor, guarnecidos com 30 canhões, deixou Humaitá descendo o rio para atacar a força naval brasileira. Depois de uma dura batalha , na qual os paraguaios demonstraram grande coragem, inclusive afundaram uma canhoneira brasileira, foram derrotados com perda da metade de seus vasos, devido a inferioridade de equipamentos e, principalmente, a inxistência de vasos de guerras encouraçados na força de ataque paraguaio.
              A derrota naval poderia ter sido o motivo decisivo para a imediata retirada da força principal paraguaia, mas, devido principalmente à timidez da flotilha aliada, os paraguaios, no entanto, que tinha começado a bater em retirada, retornam no mesmo dia e possionaram a cerca de 58 quilômetros abaixo de Corrientes, quando souberam que a flotilha brasileira não avançou o curso do rio Paraná após a vitória. A esquadra brasileira desceu o rio com receio de uma bateria terrestre de 22 canhões que estava instalada numa posição mais abaixo. A força naval passou por esta bateria de canhões sem perda significativa, no dia 13 de junho. A partir deste dia houve uma pausa até o início de agosto, quando o exército paraguaio terminou seu avanço em direção ao sul. Nesse interim a bateria de campo paraguaia passou a flotilha brasileira no sentido de Bella Vista e assumiu posição no curso do rio, sobre uns rochedos que dominavam o rio. Quando o esquadrão forçou a passagem, recebeu descargas descendentes dos canhões, sofrendo perdas significativa de homens. Nesta mesma noite infatigável, a mesma beteria de campo paraguaia perpasou novamente a flotilha e tomou posição em terreno mais abaixo. As canhoneiras brasileiras a enfrentaram novamente, em 12 de agosto, e finalmente alcançaram a cidade de Goya - dessa vez com perdas menores, os os marinheiros se posicionaram protegidos pelo convés. A coluna paraguaia parou em Bella Vista, e alí permaneceu inativa durante um mês.
              Enquanto isso, o grande e fatal desastre sucumbiu a coluna da esquerda. Esta força de 12.000 homens, sob o comando do Coronel Estigarribia, cruzou o Paraná em Encarnación no início de abril, e marchou através da selvagem floresta de Missiones com destino ao rio uruguai, para invadir a província brasileira de Rio Grande. Como já mencionado, esta coluna manobrava a uns 320 quilômetros do exército da direita, que operava no baixo Paraná. Após longa marcha alcançaram o rio uruguai, em Borja, no dia 10 de junho. Alí Estigarribia atravessou 8 mil homens por canoas para margem direita, na face de uma pequena força brasileira, deixando 2500 homens nesse local, sob comando de Duarte. Assim, margeando o rio pelos dois lados, ele desceu com suas tropas para a cidade de Uruguaiana. No dia 6 de agosto ocupou esta cidade, localizada na margem esquerda do rio, sem sofrer nehuma resistência. Estigarribia se estabeleceu ali com 8 mil soldados e fortificou suas posições. Duarte parou com seus 2500 homens em Yatai, no lado oposto do rio. Em 17 de agosto, ele foi atacado por uma força aliada de 13 mil soldados. Após uma brava resistência, seu acampamento foi invadido e seus homens mortos. Os aliados que tinham inteiro comando do rio, pela posse de quatro navios canhoneiras, cruzaram para outro lado. Nesse ponto receberam um grande reforço do Brasil e do exército aliado, que então se encontravam em manobra na argentina, juntando no local um exército de 30 mil homens, que contava com artilharia de 42 canhões, sob o comando do próprio Imperador do Brasil, em pessoa. Com esta imensa superioridade numérica rapidamente investiram contra Estibarribia em Uruguaiana e compeliram a se render, em 18 de setembro.
              Este desastre foi fatal para o esquema ofensivo de López. De Uruguaiana o exército aliado moveu-se obliquamente para direita, para a junção do Paraná com o Paraguai. Tão logo López soube da destruição da força de Estigarribia, ordenou que a coluna da direita evacuasse a Argentina e atravessasse o Paraná, de volta para o Paraguai. Os paraguaios se retiraram calmamente de Cuevas, mandando a frente sua artilharia e equipamentos rio acima, com todo gado confiscado. A flotilha aliada seguiu cautelosamente todos os passos da retirada dos invasores. No dia 31 de outubro, eles alcançaram Paso la Patria às marges do rio Paraná, logo abaixo da junção do rio Paraguai. Aqui todo o exército paraguaio e 100 mil cabeças de gado, foram atravessados através de dois pequenos barcos a vapor e de alguns barcos leves, na face de quatro canhoneiras brasileira que não dispararam um único tiro. As canhoneira poderiam facilmente barrar essa travessia, até que a força principal aliada chegasse para destruir os paraguaios que se encontrava em posição crítica. Em 3 de novembro, os paraguaios tinham atravessado todos seus homens e seus últimos canhões; a situação perigosa e crítica havia passado. Dos 25 mil homens que invadiram o território argentino, apenas 19 mil homens retornaram. Conjuntamente, nas duas colunas, Lopez perdeu quase de 20 mil homens na desastrada invasão dos territórios Aliados. Assim, o exército regular paraguaio estava seriamente enfraquecido e era necessário tempo para recrutar e continuar a guerra.
              Os aliados se encontravam na mesma condição. Quando chegaram ao lado oposto de Paso la Patria encontraram um formidável rio e um exército hóstil no outro lado. Antes de tentar a invasão, decidiram não somente concentrar e aumentar seus exércitos, mas treinar e organizar a massa de novos recrutas. Por esses motivos, os dois exércitos foram induzidos a uma pausa de seis meses em seus movimentos, durante os quais as forças beligerantes ficaram quase inativas de frente uma para outra, nos lados opostos do rio.


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