Guerra do Paraguai

Uniformes militares brasileiros

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              López praticamente declarou guerra contra à Confederação Argentina ao apoderar-se, em 17 de abril de 1865, de dois vapores argentinos dentro de seu território. A agressão resultou em um tratado secreto assinado, em primeiro de maio de 1865, entre o Brasil, a Confederação Argentina e a República da Banda Oriental. Por este documento, os três países acordaram que o conflito somente seria encerrado após a derrubada do Governo López e nenhum destes países poderia fazer qualquer acordo em separado, sem a concordância dos três aliados conjuntamente; a independência do Paraguai seria garantida, mas todas forticações militares seriam destruídas e o Paraguai deveria pagar todos os custos do conflito.
              Assim, o terrível conflito, foi iniciado por um imprevidente e ambicioso ditador que dominava o meio curso dos rios Paraná e Paraguaio, contra as duas repúblicas que dominavam a parte inferior.
              O exército de López, com o qual iniciou o formidável conflito conflito, consistia de cerca de 80.000 homens: um terço destes era da cavalaria e o restante infantaria ou artilharia. A tropa da cavalaria não tinha iniformidade de montaria e carregava lanças e sabre. Um esquadrão de cada regimento estava armado com rifles de pederneira. A infantaria era organizada em batalhões constituídos de cerca de 600 a 800 homens cada, sendo que três dessas unidades táticas eram munidos com antiquadas carabinas; outros três, com mosquetões de percusão; e o demais eram armados com musquetões de pederneira. A tropa com artilharia de campo contava com 54 cavalos, uma bateria com canhões-fuzil de 12 libras; os demais bateria carregavam canhões de diversos calibres. A artilharia pesada contava com 126 canhões em péssimas condições, incluindo 24 de 8 polegadas e dois de 56 libras. A marinha consistia de uma flotilha fluvial de 17 pequenos navios a vapor construídos para passageiros e armados com canhões leves, exceto dois que foram construídos como canhoneiras regulares. O transporte por terra era insipiente, efetuado por lentos carros de boi. A ração distribuida para tropa era escassa e ruim e a disciplina era rígida e férrea. Os soldados, no entanto, eram excelentes e corajosos, com grande desdém à morte.
              O Brasil tinha concentrado uma bem organizada e disciplinada força de 25 mil soldados na Banda Oriental e estava agrupando no Rio da Prata uma flotilha de vinte modernas canhoneiras, guarnecidas, em média, com oito canhões cada uma. Buenos Aires estava recrutando um exército, mas sua marinha consistia de apenas dois velhos e mal conservados navios a vapor. Montevidéo não tinha artilharia ou vapores e estava engajado em organizar e adestrar uma força terrestre.
              López começou o conflito com grande vantagem: Seu exército já estava organizado, enquanto os aliados, com exerção do Brasil, nem mesmo usavam uniforme. Por outro lado, os recursos dos aliados excediam de forma extraordinária os dos paraguaios. A população paraguaia, por exemplo, contava em torno de 1.200.000 almas; o Brasil tinha uma população aproximada de 8.000.000; a República Argentina cerca 1.200.000; e a Banda Oriental por volta de 300.000. No total, a população aliada era em torno 9.500.000, contra 1.200.000 paraguaios. Considerando este desbalanço de forças, López decidiu atacar primeiro, duro e vigorosamente, intencionando destruir os aliados com um vigoroso ataque. No início do conflito os aliados evitaram qualquer batalha decisiva, antes que tivessem concentrado e treinado suas forças, que naquele momento estavam dispersas e pouco manejáveis.
              Com a estratégia de quebrar a aliança com um vigoroso golpe, López convergiu suas forças disponíveis para a fronteira sul do país, assumindo posição ofensiva. A estratégia era cruzar o rio paraná invadindo a província argentina de Corrientes e, por esta província, seguir em direção ao rio uruguai até a Banda Oriental, levando o conflito para o sul da província argentina de Entre Rios e Uruguai. O risco dessa estratégia era imenso para ter sucesso. Sem dominar a navegação dos grandes rios, que formam a bacia do Prata, era impossível ter êxito na empreitada. Sendo os rios os únicos caminhos e linha de comunicação na região, e se mantidos na posse dos inimigos, todo o exército paraguaio poderia ser eliminado. A linha de retirada dependia do domínio das largas e navegáveis águas do Paraná, no trecho localizado abaixo da junção com o rio Paraguai, que era dominado pela flotilha brasileira, cujo poder de fogo era infinitamente superior à frota paraguaia.
              O movimento de ataque do exército paraguaio foi realizado em duas colunas: A coluna da direita, que contava com 25.000 homens, que tinha base em Humaitá, cruzou o rio Paraná e machou seguindo o curso do rio pela margem esquerda. A Coluna da esquerda cruzou o Paraná, em Encarnación, para atravessar 321 quilômetros de deserto e selvagem interior, seguindo o curso do rio até alcançar o rio uruguai. A flotilha paraguaia, nesse interim, tentaria cobrir o flanco da coluna que seguia pela direta.


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