KABALA NUMEROLOGIA |
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CASIMIRO DE ABREU
O poeta da
saudade e da ternura, o mais recitado de todos os tempos, — Casimiro
José Marques de Abreu, — nasceu numa humilde vila,
perto de
Cabo Frio, a 4 de janeiro de 1839. Em As Primaveras depositou todas as
suas angústias e paixões, a saudade da terra amada durante a permanência na
Europa, lutando contra um destino adverso, pois o pai queria vê-lo no comércio,
quando a alma do jovem
se voltava para a literatura. Voltando para o Brasil, faleceu a 18 de outubro de 1860.
SAUDADES
Nas
horas mortas da noite Como é doce o meditar Quando as estrelas cintilam Nas ondas quietas do mar; Quando a lua majestosa Surgindo linda e formosa,
Como
donzela vaidosa Nas águas se vai mirar!
Nessas
horas de silêncio, De tristezas e de amor, Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio
de mágoa e de dor,
O sino do campanário Que fala tão solitário Com esse tom mortuário
Que
nos enche de pavor.
Então proscrito
e sozinho -
Eu
solto aos ecos da serra Suspiros dessa saudade
Que
no meu peito se encerra.
Esses
prantos de amargores
São
prantos cheios de dores:
— Saudades dos meus amores,
— Saudades — da minha terra!
JURITI
Na minha terra, no bulir do inato,
A juriti suspira; E como o arruio dos gentis amores, São os meus cantos de
secretas dores
No chorar da
lira.
De tarde a pomba vem gemer sentida
À beira do
caminho;
— Talvez perdida na floresta ingente —
A
triste geme nessa voz plangente
Saudades
do seu ninho.
Sou como a pomba e como as
vozes dela
É triste o meu
cantar;
—Flor
dos trópicos — cá na Europa fria
Eu
de linho, chorando noite e dia
Saudades
do meu lar.
A juriti suspira sobre as folhas secas
Seu canto de
saudade;
Hino
de angústia, férvido lamento,
Um
poema de amor e sentimento,
Um
grito de orfandade.
Depois... o caçador chega cantando,
À pomba faz o tiro... A bala acerta e ela cai de bruços, E a voz lhe morre nos gentis soluços,
No final
suspiro.
E como o caçador, a morte em breve
Levar-me-á
consigo;
E
descuidado, no sorrir da vida, irei sozinho, a voz desfalecida,
Dormir
no meu jazigo.
E — morta — a pomba nunca mais suspira
À beira do
caminho;
E
como a juriti, - longe dos lares —
Nunca
mais chorarei nos meus cantares
Saudades
do meu ninho!
JURAMENTO
Tu
dizes oh! Mariquinhas,
Que
não crês nas juras minhas,
Que
nunca cumpridas são!
Mas
se eu não te jurei nada.
Como
hás de tu, estouvada,
Saber
se eu as cumpro ou não?
Tu
dizes que eu sempre minto,
Que
protesto o que não sinto,
Que
todo poeta é vário,
Que
é borboleta inconstante;
Mas
agora, neste instante,
Eu
vou provar te o contrário.
Vem
cá, sentada a meu lado
Com
esse rosto adorado,
Brilhante
de sentimento,
Ao
colo o braço cingido,
Olhar
no meu embebido,
Escuta
o meu juramento.
Espera:
— inclina essa fronte...
Assim
!.. — Pareces no monte
Alvo
lírio debruçado!
—
Agora, se em mim te fias,
Fica
séria, não te rias,
O
juramento é sagrado:
—
“Eu juro sobre estas tranças,
“E
pelas chamas que lanças
“Dêsses
teus olhos divinos;
“Eu
juro, minha inocente,
“Embalar-te
docemente
“Ao
som dos mais ternos hinos!
“Pelas
ondas, pelas flores,
“Que
se estremecem de amores
“Da
brisa ao sopro lascivo;
“Eu
juro, por minha vida,
“Deitar-me
a teus pés, querida,
“Humilde
como um cativo!
“Pelos
lírios, pelas rosas,
“Pelas
estréias formosas,
“Pelo
sol que brilha agora,
“
— Eu juro dar te, Maria,
“Quarenta
beijos por dia
“E
dez abraços por hora !“
O juramento está
feito:
Foi
dito coa mão no peito,
Apontando
ao coração;
E
agora — por vida minha,
Tu
verás, oh! moreninha,
Tu
verás se o cumpro ou não !..
O QUE É SIMPATIA
Que
nasce num só momento,
Sincero,
no coração;
São
dois olhares acesos
Bem
juntos, unidos, presos
Numa
mágica atração.
Simpatia
— são dois galhos
Banhados
de bons orvalhos
Nas
mangueiras do jardim;
Bem
longe às vezes nascidos,
Mas
que se juntam crescidos
E
que se abraçam por fim.
São
duas almas bem gêmeas
Que
riem no mesmo riso,
Que
choram nos mesmos ais;
São
vozes de dois amantes,
Duas
liras semelhantes,
Ou
dois poemas iguais.
Simpatia
— meu anjinho,
É
o canto do passarinho,
É
o doce aroma da flor;
São
nuvens dum céu d’agosto,
É
o que m’inspira teu rosto... — Simpatia — é
quase amor!
(As
Primaveras) |
ANTOLOGIA DOS POETAS BRASILEIROS
Esta antologia é baseada em trabalho de ________________
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